Não devem estar gramaticalmente corretos, e nem as idéias representam qualquer verdade universal.
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Coragem! Animou-me o mestre. Não é cedendo ao ócio nem refestelando-se sobre plumas que se conquistam os prêmios ao valor. Aquele que à inatividade se entregar, de sí deixará sobre a terra memória igual ao traço que o fumo risca no ar e a espuma traça na onda. Supera a fadiga, vence o torpor, recobra o ânimo, que das vitórias sobre os perigos, a primeira é a da vontade sobre o corpo. Pensa que devemos subir muito mais alto e que foi pouco o haver saído desse abismo. Se o que disse te aproveita, demonstra-o. – A Divina Comédia: O Inferno - Dante Degli Alighieri
Essa introdução deixa claro quão mal e perniciosa é a inoperância do homem para com o mundo. Seu processo reencarnatório exige que esforço seja feito tanto para o seu bem quanto para o bem do próximo. O trabalho, em todas as suas formas, é naturalmente necessário quando é levando em conta que a força não foi dada ao homem, e a inteligência ao espírito, para que se caia na ociosidade. Porém, a meu ver, há duas importantes questões a serem levantadas quando se trata do tema: a preguiça e a acídia.
A preguiça no sentido de propensão a não trabalhar, a demora ou lentidão em agir, não só traz prejuízos para quem a conduz, como também para quem está a sua volta. O homem vive entranhado em uma rede infinita de contatos e dependências, onde todos estão interligados com seus trabalhos e atos do dia-a-dia. A preguiça corta essa rede, refaz ligações e exclui, por fim, o agente que permanece estático A falta de ânimo é triste e desoladora, lembra enfermidade e depressão. É a visão contrária da vida, do movimento e do desenvolvimento. A preguiça é aquele estado em que nada se desenvolve, enquanto o Universo é sempre movimento. E ainda não é o tempo “de refestelar-se em plumas”, se é que ele existe em algum lugar do espaço. É tempo de vencer o peso que vem do próprio interior, pois a falta de vontade não vem do meio externo, vem da própria consciência.
Um poderoso antídoto à preguiça é o próprio trabalho e seus louros, que até onde me vejo capaz de afirmar, é uma qualidade inerente de todas as religiões e filosofias. Como breve exemplo, a Bíblia nos ensina em Gen 3;19: “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra;”, o Bhagavad-Gita fala que “Não se alcança a liberdade do cativeiro do karma pela simples abstenção do trabalho. Ninguém alcança a perfeição meramente abandonando o trabalho, porque ninguém pode ficar sem ação, mesmo por um momento. Tudo no universo é dirigido pela ação - realmente não tem saída - pelas forças da natureza” (3.04-05), assim como o Talmud diz que “Não ensinar ao filho a trabalhar, é como ensinar-lhe a roubar”.
Outro ponto de toda essa questão se da sob o nome de acídia, definida como a preguiça no cumprimento de deveres morais. Esse aspecto tem peso relevante quando relaciona-se a preguiça com os pecados capitais. Se a falta de vontade em desenvolver e trabalhar aspectos morais e virtudes é superior, todo o resto pouco vale. Tudo tende a levar para os demais pecados, e o desenvolvimento espiritual perde toda a sua sustentação. E o perigo ainda é maior dado o fato de que, tendo também a acídia o significado de tristeza, é certo que ninguém se mantém num estado deprimido por toda a vida. E se não há uma base consolidada de moral e de virtude em nossa consciência, a fuga da tristeza se dá tão somente por vias tortuosas e caminhos tentadores, e não necessariamente benéficos. Ou seja, a acídia é um passo importante de toda uma rede de atitudes incorretas, essas que muitas vezes nos atacam inconscientemente no desespero de encontrar uma saída para uma situação mais confortável.
O revés de tudo isso deve começar dentro de cada um, nos momentos a sós, em meditações, auto-observância e auto-controle. Entretanto, creio que encontrar um momento de paz para o encontro com o próprio eu se tornou um enorme desafio. O bombardeio de informações das mais diversas mídias, tentações que experimentamos a cada segundo, individualidades e superficialidades nos fazem cair no que chamaria de preguiça mental. Sempre há muito o que se fazer ou onde ir, ou o que praticar. A preguiça física nessas várias situações pode até não encontrar muito espaço, porém todas as informações são fáceis, mastigadas, extremamente coloridas, sonoras, hipnóticas, tentadoras e muitas vezes inúteis. Não se desperta o interesse pelo raciocínio. A reflexão acontece (quando acontece) com coisas puramente triviais e muitas vezes perigosas. Logo, a preguiça deve ser combatida, assim vejo, dando ênfase ao lado mental e espiritual. O desenvolvimento intelectual não pode se encontrar a passos lentos, e o espiritual não deve dar lugar a superficialidades terrenas e tentações materiais.
Atingindo essa compreensão, o homem tem a possibilidade de voltar a caminhar nas trilhas do equilíbrio de seus corpos inferiores.
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Sto. Thomas de Aquino determina 6 características inerentes como sendo as filhas da Acídia (Preguiça):
*Definições retiradas de www.deldebbio.com.br
Desespero – quando o homem considera que o objetivo visado se tornou impossível de ser alcançado, por quaisquer meios, gerando um abatimento que domina o seu afeto.
Pusilanimidade – covardia, falta de ânimo, falta de coragem para encarar um trabalho árduo e que requer deliberação.
Divagação da mente – é quando um homem abandona as questões espirituais e se instala nos prazeres exteriores, permanecendo com sua mente rondando assuntos do âmbito material.
Torpor – estado de abandono onde a pessoa ignora a própria consciência.
Rancor – ressentimento contra aqueles que querem nos conduzir a caminhos mais elevados, o que acaba gerando uma agressividade. Está relacionado à Ira. Posso ver muito de rancor em relação aos textos ateístas e outros textos religiosos mais fanáticos.
Malícia – desprezo pelos próprios bens espirituais, resultando em uma opção deliberada pelo mal. Está ligada diretamente ao materialismo e á Luxúria. Hoje em dia tornou-se sinônimo de sexualidade explícita.
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