sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Os Sete Defeitos Capitais - pt. 2: Avareza

Mais um texto que escrevi sobre o assunto. O motivo de tê-lo feito não vem muito ao caso.
Não deve estar gramaticalmente correto, e nem as idéias representam qualquer verdade universal.
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"O tema da Fortuna não era novo. Os pagãos chegaram a endeusá-la e a dedicar-lhe templos. Ela distribui os bens da terra rotativamente por não poderem pertencer todos a todos ao mesmo tempo. Dela dependem o alternar-se de miséria e riqueza, de bem-estar e de penúria por que passam os indivíduos e as nações. É, em outros termos, a Divina Providência que os pagãos chamam de Fortuna. A sua existência explicaria assim o estado de miséria em que vivem freqüentemente os sábios e os bons, destituídos de bens materiais, mas ricos, em compensação, dos tesouros da sabedoria e da virtude." – Salvatore Viglio (Frei Cassiano)
            Avareza, do latim avaritia, é sinônimo de ganância, apego excessivo a bens, materiais ou não.
            O avaro não demonstra limites quanto à acumulação. Diferente da conotação comum de mesquinharia ou “pão-duragem”, o avarento necessita da quantidade. A cobiça é o carro chefe de suas ações.
            Há uma certa discussão acerca do que se pode considerar como acumulável tal que configure o pecado da avareza.
            Bens materiais são os mais comuns ou visíveis de serem notados em quem se submete a essa fraqueza e deixa transparecer um completo desequilíbrio quanto ao discernimento do que é realmente útil ou não. O medo de se ver afastado da matéria o torna ganancioso e escravo dela mesma. A matéria se torna um fim em si própria, e não um meio. O pecador perde a noção do que realmente é necessário tanto a ele quanto aos demais, e a visão da aquisição desses bens para gerar novos bens ou serviços se perde por completo.
            Bens abstratos como conhecimento ou beleza são, por muitas vezes, deixados de lado. Porém não deveria merecer tanta recusa a uma análise. O acúmulo de conhecimento se torna completamente inútil se, ao invés de usá-lo com o propósito de gerar mais conhecimento ou de beneficiar tanto quem o possui quanto quem o cerca. Não deixa de ser um ato de ganância. Nota-se, porém, que nesse caso há uma interpolação de pecados, permitindo citar, por exemplo, a gula. Nesse sentido há, inclusive, um interessante pensamento reportado a São Bernardo que diz: Há quem busque o saber por si mesmo, conhecer por conhecer: é uma indigna curiosidade. Há quem busque o saber para poder exibir-se: é uma indigna vaidade. Estes não escapam a mordaz sátira que diz: 'Teu saber nada é, se não há outro que saiba que sabes'. Há quem busque o saber para vendê-lo por dinheiro ou por honras: é um indigno tráfico. Mas há quem busque o saber para edificar, e isto é amor. E há quem busque o saber para se edificar, e isto é prudência.
            As grandes religiões deixam claro a gravidade da avareza e a necessidade de seu combate, em qualquer dos seus aspectos, materiais ou não. A Bíblia nos ensina, em Provérbios 11:24, que a quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda, assim como em Lucas 14:15: E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui. No Hinduísmo, o Upanishad nos diz que um portão de ouro (da luxúria, ira, avareza, ilusão, desilusão, e apego) bloqueia a passagem para Deus. Este portão pode ser aberto apenas pela centralização dos esforços individuais. Luxúria, ira e avareza controlam a entrada dos seres humanos no paraíso, e conduzem para os portões do inferno. Luxúria, ira e avareza somem da mente apenas após a descoberta de que não existe "Eu" e "meu". A incontrolável avareza por posses materiais da moderna civilização pode destruir o proprietário por destruir o meio-ambiente natural, o verdadeiro suporte da vida e civilização. O profeta Muhammad (s.a.a.w), através das mensagens de Allah no Alcorão, na surata Ali ‘Imran, versículo 180, revela que os avarentos, que negam fazer caridade daquilo que com que Allah os agraciou, não pensem que isso é um bem para eles; ao contrário, é prejudicial, porque no Dia da Ressurreição irão acorrentados com aquilo com que mesquinharam. A Allah pertence a herança dos céus e da terra, porque Allah está bem inteirado de tudo quanto fazeis. No livro Vinhas de Luz, de Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel, encontramos a belíssima mensagem: Recordemos a palavra do Mestre Divino, gravando-a no espírito.  A vida do homem não consiste na abundância daquilo que possui, mas na abundância dos benefícios que esparge e semeia, atendendo aos desígnios do Supremo Senhor.
            Em suma, apenas poderá ser consumada a Grande Obra através da alquimia interior após uma auto-observação constante, aliada a estudos profundos e conhecimentos colocados em prática. É o caminho contra a avareza. Entretanto, se faz essencial lembrar que o Trabalho Interior é uma atividade prática, essencialmente pessoal e experimental. A teoria só pode ajudar na medida direta em que for testada. NADA é conseguido no sentido do autodesenvolvimento senão por meio da prática diária e constante e do trabalho tradicional de observação e auto-análise.
SIC TRANSIT GLORIA MUNDI!

sábado, 3 de março de 2012

Liberdade e satisfação: um paradoxo do mundo contemporâneo

É mister observar que ao longo da história o homem sempre lutou pelos seus direitos e, de forma complementar, tais direitos sempre visaram, pelo menos em princípio, o bem-estar social e a satisfação pessoal. Inegavelmente, a liberdade sempre foi uma dessas garantias almejadas e, em um bom nível de definição democrática, está muito bem alicerçada no cotidiano de grande parte da sociedade. Entretanto, a satisfação que deveria ser habitual e recorrente é, paradoxalmente, sufocada pela própria liberdade conferida pela contemporaneidade e seus excessos de possibilidades de escolhas.
Uma característica patente do mundo moderno é a que se resulta dos novos métodos de produção e desenvolvimento de bens e produtos. Muito recentemente, um indivíduo que optasse por adquirir um bem material qualquer possivelmente não teria mais do que uma ou duas opções de modelo, cor e quaisquer outras caracterísicas funcionais. Hoje, essas são dezenas, entre marcas e tecnologias. Se em tempos recentes o objeto escolhido não fornecia toda a funcionalidade esperada, obter-se-ia dele o que houvesse de melhor mesmo naquelas condições, mas não haveria sentimento de culpa quanto às expectativas não correspondidas. Não havia possibilidades de escolhas.
Hoje a questão é aparentemente satisfatória. Aparentemente porque todos têm uma complexa rede de possibilidades e são livres para escolher. Não existe um único tipo de telefone,um único tipo de calça com algum padrão simples de costura e tamanho, um único tipo de geladeira ou televisão que simplesmente realize suas funções originais, tampouco um ou outro caminho profissional a percorrer e que determine toda uma vida. Praticamente nada mais é único e tudo apresenta um concorrente. Logo, não existe justificativa: uma má aquisição ou escolha não passa de um mau uso da liberdade de selecionar o que deveria ser melhor, diferentemente do passado.
Consequentemente, talvez se possa afirmar que dificilmente alguém alcance a satisfação completa. A liberdade de escolher, apontar um caminho e seguí-lo ou adquirir o que quer que seja, possivelmente virá acompanhado por alguma mínima frustração a respeito daquilo que foi renegado, deixado de lado por uma questão de poder de decisão da própria liberdade - que sempre foi duramente perseguida e hoje é tão bem guardada. São apostas que sempre vêm tentadas pelo "e se" e, por conseguinte, o paradoxo acaba por se tornar, eventualmente, inevitável.

domingo, 31 de outubro de 2010

Os Sete Defeitos Capitais - pt. 1: Preguiça

Gostaria de colocar uns textos que andei escrevendo sobre o assunto. O motivo de tê-los feito não vem muito ao caso.
Não devem estar gramaticalmente corretos, e nem as idéias representam qualquer verdade universal.
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Coragem! Animou-me o mestre. Não é cedendo ao ócio nem refestelando-se sobre plumas que se conquistam os prêmios ao valor. Aquele que à inatividade se entregar, de sí deixará sobre a terra memória igual ao traço que o fumo risca no ar e a espuma traça na onda. Supera a fadiga, vence o torpor, recobra o ânimo, que das vitórias sobre os perigos, a primeira é a da vontade sobre o corpo. Pensa que devemos subir muito mais alto e que foi pouco o haver saído desse abismo. Se o que disse te aproveita, demonstra-o. – A Divina Comédia: O Inferno - Dante Degli Alighieri
Essa introdução deixa claro quão mal e perniciosa é a inoperância do homem para com o mundo. Seu processo reencarnatório exige que esforço seja feito tanto para o seu bem quanto para o bem do próximo. O trabalho, em todas as suas formas, é naturalmente necessário quando é levando em conta que a força não foi dada ao homem, e a inteligência ao espírito, para que se caia na ociosidade. Porém, a meu ver, há duas importantes questões a serem levantadas quando se trata do tema: a preguiça e a acídia.
A preguiça no sentido de propensão a não trabalhar, a demora ou lentidão em agir, não só traz prejuízos para quem a conduz, como também para quem está a sua volta. O homem vive entranhado em uma rede infinita de contatos e dependências, onde todos estão interligados com seus trabalhos e atos do dia-a-dia. A preguiça corta essa rede, refaz ligações e exclui, por fim, o agente que permanece estático A falta de ânimo é triste e desoladora, lembra enfermidade e depressão. É a visão contrária da vida, do movimento e do desenvolvimento. A preguiça é aquele estado em que nada se desenvolve, enquanto o Universo é sempre movimento. E ainda não é o tempo “de refestelar-se em plumas”, se é que ele existe em algum lugar do espaço. É tempo de vencer o peso que vem do próprio interior, pois a falta de vontade não vem do meio externo, vem da própria consciência.
Um poderoso antídoto à preguiça é o próprio trabalho e seus louros, que até onde me vejo capaz de afirmar, é uma qualidade inerente de todas as religiões e filosofias. Como breve exemplo, a Bíblia nos ensina em Gen 3;19: “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra;”, o Bhagavad-Gita fala que “Não se alcança a liberdade do cativeiro do karma pela simples abstenção do trabalho. Ninguém alcança a perfeição meramente abandonando o trabalho, porque ninguém pode ficar sem ação, mesmo por um momento. Tudo no universo é dirigido pela ação - realmente não tem saída - pelas forças da natureza” (3.04-05), assim como o Talmud diz que “Não ensinar ao filho a trabalhar, é como ensinar-lhe a roubar”.
Outro ponto de toda essa questão se da sob o nome de acídia, definida como a preguiça no cumprimento de deveres morais. Esse aspecto tem peso relevante quando relaciona-se a preguiça com os pecados capitais. Se a falta de vontade em desenvolver e trabalhar aspectos morais e virtudes é superior, todo o resto pouco vale. Tudo tende a levar para os demais pecados, e o desenvolvimento espiritual perde toda a sua sustentação. E o perigo ainda é maior dado o fato de que, tendo também a acídia o significado de tristeza, é certo que ninguém se mantém num estado deprimido por toda a vida. E se não há uma base consolidada de moral e de virtude em nossa consciência, a fuga da tristeza se dá tão somente por vias tortuosas e caminhos tentadores, e não necessariamente benéficos. Ou seja, a acídia é um passo importante de toda uma rede de atitudes incorretas, essas que muitas vezes nos atacam inconscientemente no desespero de encontrar uma saída para uma situação mais confortável.
O revés de tudo isso deve começar dentro de cada um, nos momentos a sós, em meditações, auto-observância e auto-controle. Entretanto, creio que encontrar um momento de paz para o encontro com o próprio eu se tornou um enorme desafio. O bombardeio de informações das mais diversas mídias, tentações que experimentamos a cada segundo, individualidades e superficialidades nos fazem cair no que chamaria de preguiça mental. Sempre há muito o que se fazer ou onde ir, ou o que praticar. A preguiça física nessas várias situações pode até não encontrar muito espaço, porém todas as informações são fáceis, mastigadas, extremamente coloridas, sonoras, hipnóticas, tentadoras e muitas vezes inúteis. Não se desperta o interesse pelo raciocínio. A reflexão acontece (quando acontece) com coisas puramente triviais e muitas vezes perigosas. Logo, a preguiça deve ser combatida, assim vejo, dando ênfase ao lado mental e espiritual. O desenvolvimento intelectual não pode se encontrar a passos lentos, e o espiritual não deve dar lugar a superficialidades terrenas e tentações materiais.
Atingindo essa compreensão, o homem tem a possibilidade de voltar a caminhar nas trilhas do equilíbrio de seus corpos inferiores.

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Sto. Thomas de Aquino determina 6 características inerentes como sendo as filhas da Acídia (Preguiça):
*Definições retiradas de www.deldebbio.com.br
Desespero – quando o homem considera que o objetivo visado se tornou impossível de ser alcançado, por quaisquer meios, gerando um abatimento que domina o seu afeto.

Pusilanimidade – covardia, falta de ânimo, falta de coragem para encarar um trabalho árduo e que requer deliberação.

Divagação da mente – é quando um homem abandona as questões espirituais e se instala nos prazeres exteriores, permanecendo com sua mente rondando assuntos do âmbito material.

Torpor – estado de abandono onde a pessoa ignora a própria consciência.

Rancor – ressentimento contra aqueles que querem nos conduzir a caminhos mais elevados, o que acaba gerando uma agressividade. Está relacionado à Ira. Posso ver muito de rancor em relação aos textos ateístas e outros textos religiosos mais fanáticos.
Malícia – desprezo pelos próprios bens espirituais, resultando em uma opção deliberada pelo mal. Está ligada diretamente ao materialismo e á Luxúria. Hoje em dia tornou-se sinônimo de sexualidade explícita.


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Dente sujo causa infarto. Ou basicamente isso.

http://www.bmj.com/content/340/bmj.c2451.full
O link acima mostra um artigo publicado em abril desse ano pela British Medical Journal de um estudo feito pela Scottish Health Survey. Eles afirmam que problemas cardiovasculares podem estar relacionados com a má escovação dos dentes.
Foram avaliados cerca de 12 mil participantes.
No frigir dos ovos, bactérias causadoras da gengivite podem se espalhar pela corrente sanguínea e se alojar nas artérias do coração, contribuindo para a obstrução das mesmas.


Bão.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

96 anos de Academia de Futebol!



À torcida que canta e vibra!

"Explicar a emoção de SER PALMEIRENSE, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense... É simplesmente impossível!" - Joelmir Beting.



26/08/1914
16/08/2010
96 anos de orgulho, tradição e glórias! Vida longa à eterna Academia de Futebol!

Primeiro post.


Enfim, meu blog! Filho único por enquanto. O fato é que ainda não sei porque criei um e muito menos o que exatamente vou postar. Mas como meus assuntos sempre giram em torno de Física, futebol, música e etc, esse espaço provavelmente vai tender a ter essa cara. Constantemente postarei novidades da ciência (de forma simples pra todo leigo entender, mesmo que se trate de alguma lei absurda do eletromagnetismo quântico), declarações de amor ao Palmeiras, declarações de nojo e ódio ao corintia, novidades musicais que porventura me interessarem, campanha contra a Dilma assassina, etc etc etc.

Vejamos que cara isso vai ter com o tempo.

That's all!

Obs.: a obra de arte no quadro mostrado é minha.